i didn't wanna worry you.
lee gunhoo, 20 anos (2000), direito. bale.
here you'll never get the best of me; 210114.
tw: agressão.
O distanciamento com a realidade de Gunhoo não era nada sutil. Ao ser aceito com uma bolsa integral em Goyang, uma faculdade de elite, as coisas não seriam fáceis. O estudo excessivo fazia parte de sua rotina por anos, portanto o mais dificultava eram as relações interpessoais. Precisou de cerca de um ano para entender que necessitava mais do que um currículo com o nome da faculdade para alcançar seu objetivo. Não possuía um nome que valesse à pena para ser visto como mais eficiente que alguém que tinha influência e dinheiro. Era essencial um cargo de relevância e ser assistente do reitor era o que fazia com que pessoas como ele chegassem a uma posição superior.
A curiosidade na função só se tornou opção por conta de uma situação familiar problemática. Até o momento, no entanto, não pensava precisar de mais do que tinha e ser pressionado para isso deixou as coisas bem bagunçadas em sua cabeça. E de repente perguntava-se que tipo de atenção poderia chamar além das excelentes notas que possuía? Quando sua ambição tinha se tornado tão evidente ao ponto de deixar suas intenções claras a outros estudantes e parecesse um traço de sua personalidade?
A partir do momento que aceitava grande parte das disciplinas, fosse de seu curso ou não, como uma forma de ganhar dinheiro começou a chamar atenção de alguns estudantes; não os melhores deles, mas compreendeu que essa era uma porta que poderia se abrir se insistisse um pouco. Foi mais ou menos assim que conheceu Bang Yongseok, procurando contar sobre as aulas particulares que dava invés dos trabalhos prontos por dinheiro, omitindo a parte potencialmente ilegal disso para que pudesse criar um laço e entender o que o outro tinha feito de tão relevante para estar naquela posição.
A respiração falhou quando tudo aconteceu. O olhar sob Bang Yongseok caído no chão era de completa perplexidade, não conseguindo entender o que acontecia até que alguém o levasse para ser socorrido. Tumulto e gritaria se seguiram e a sequência de desespero e preocupação com as pessoas em sua volta o entorpeceu de forma que instintivamente ajudasse os outros. Era pragmático e ações rápidas foram tomadas. Permaneceu grande parte do tempo próximo de Namhee e, em seguida, seguiu até outra parte de alunos que pareciam estar passando mal. Ficou dentro do salão até que todos estivessem se encaminhando em segurança até a saída, passado a correria inicial, e alunos fossem aos seus dormitórios, assim como convidados para o estacionamento.
Em seu caminho até o dormitório estranhou alguns passos o seguindo, mas acreditou que pudessem ser outras pessoas que ficaram para ajudar também. Só deu atenção quando ouviu uma risada conhecida, virando-se bruscamente para trás e sendo presenteado com um soco no estômago, fazendo-o curvar o corpo pela dor repentina.
— Aqui não. — Era um pedido cansado, quase desconexo com o que tinha acabado de acontecer. Talvez estivesse se exibindo demais sobre um cargo que muitos cobiçam. Talvez o mal caráter fosse inerente à bolsistas ambiciosos. Ou essas eram somente desculpas de Gunhoo para justificar e permitir ser agredido sem revidar mais uma vez. Aos poucos tornava-se frequente aquele tipo de abordagem de veteranos mal intencionados, mas acreditava que a condescendência era segura quando se tratava de pessoas com mais influência que a sua, afinal não podia arriscar ser expulso injustamente por ter dito o nome errado na hora errada. — Matar alguém para conseguir uma vaga? — Existia um escárnio doentio na voz, um sorriso que era até difícil de observar. — Eu não disse que ele era a porra de um psicopata? — Agora as palavras eram direcionadas aos outros três rapazes do grupo que vinha com Joon, gabando-se da conclusão cruel.
— Matar? — Repetiu confuso e atordoado, negando as palavras sem sentido. Era uma obviedade que sequer se passara pela cabeça de Gunhoo. Alguém era culpado por aquilo? Ele estava sendo visto por alguém como possível ameaça só por desejar uma mesma vaga? — Não, eu- — O desespero na voz fora interrompido com outro soco, dessa vez acertando a costela. Não eram universitários que queriam conversar. Era violência gratuita que continuou até que Gunhoo estivesse no chão, recebendo chutes de todos eles sem qualquer oportunidade de revidar, pois se esforçou para levantar em meio aos grunhidos de dor. E essa continuou após pararem, agarrou a parte do corpo ferida, tossindo por longos minutos até que se recuperasse o suficiente. Seu rosto não foi atingido por motivos óbvios, mas agora uma dúvida dolorosa surgia em sua cabeça, perturbava-o: o que levava alguém a chegar naquele ponto? era só... uma vaga. não deveria custar a vida de ninguém.
sentou-se com dificuldades, olhando em volta para se certificar que ninguém assistiu a cena. Precisava levantar e ir ao seu quarto antes alguém sentisse a sua falta.
TASK01 — that shit just to try and find a way to get my head down; 210116.
O trecho de “tentativa grave de envenenamento” ficava repetindo em sua cabeça sem parar. Gunhoo negou-se a acreditar que alguém pudesse ser capaz de fazer isso até ler o comunicado oficial da reitoria. E novamente estava sendo ingênuo, deixava-o indisposto e perturbado, uma sensação esquisita voltando a crescer em seu peito. Foi pego desprevenido com a primeira pergunta, lembrando-se que estava participando de uma investigação um dia após ter suas coisas revistadas. de alguma forma, o passado se repetia e traziam calafrios consigo.
“Poderia nos relatar os eventos ocorridos durante a quinta-feira no campus da universidade?”
— Hm? — Demorou a se situar, tentando focar no que era dito. quanto mais rápido respondesse, mais rápido sairia dali. — Você quer dizer dos clubes? Foi um evento que durou o dia inteiro, clubes e esportes, ação beneficente. Esse tipo de coisa.
“Que atividades você participou durante o período do dia e tarde da quinta-feira?”
Fiquei focado só nas tarefas do meu clube. É balé, se isso for relevante. E pude observar superficialmente o que os outros faziam em seus respectivos grupos após a aula que ministrei com outros colegas após umas quatro e meia quando finalizei minhas obrigações.
“Você estava presente no auditório no momento do leilão?”
— Ah... Sim. — Afirmou em um tom mais baixo, olhando para a mesa em sua frente, os pensamentos voltados à cena horrível de Yongseok no chão.
“Poderia nos relatar sobre seu exato paradeiro entre o horário das nove e meia e dez e quinze da noite de quinta-feira?”
Estava fazendo o possível para que as pessoas saíssem em segurança, sem se machucarem ou acabar machucando os outros por conta do desespero.
“Há alguém que possa confirmar essas informações? Quem?”
Nami... Namhee noona, no final ficamos bastante tempo juntos.
“Descreva sua relação com Bang Yongseok. Você conhecia o estudante?”
Sim, ele é um sunbaenim conhecido e ocupa uma posição que algumas pessoas gostariam, eu incluso. O vi diversas vezes na sala de convivência e tive a oportunidade de pedir dicas para saber como ele conseguiu, sabe, ser assistente do reitor.
“Descreva sua relação com Kim Beomsu.”
— É uma relação de aluno-reitor? Acredito que boa o suficiente para ele saber quem eu sou, talvez? — Era uma dúvida, realmente não sabia, esperando ter algum tipo de relevância devido ao seu esforço diário.
“Você acredita que alguém teria razões pessoais para motivar este ataque?”
— Ataque... — Respirou fundo, nervoso. Aquelas palavras nunca soavam bem. — Não pensei que tivesse sido um ataque à princípio. Querer tal posição não é... sabe, suficiente para motivar isso, por mais que pensem que fariam de tudo por essa vaga, existem formas dignas de se mostrar isso e verdadeiramente merecê-la. E, não sei, acho que não. Não o conhecia o suficiente para saber.
“Você possui algum tipo de informação relacionada ao evento ou que possa contribuir para a investigação?”
— Não sei... — Murmurou, as palavras o assustando ao considerar lembrar-se de algo, porém não existia nada em sua memória, corrigindo-se rapidamente: — Não, não tenho.
“Para encerrar, poderia nos relatar sobre seu paradeiro após a interrupção do discurso?“
— Ah... — Olhou para cima, pensativo. — Eu sai sozinho, depois... depois de tudo. E encontrei, ah, bom... Tinha pessoas indo para a mesma direção. — Lembrou do ocorrido, a agressão que sofreu, mas omitiu o fato; não tinha relação com o interrogatório. Não deveria ter. Embora tivesse ouvido algo semelhante à um atentado, esperava do fundo do coração que tudo não passasse de desavenças com alunos da universidade e que ninguém de fato pensasse que Gunhoo pudesse se incluir ao perfil de suspeitos. Não fazia sentido, mas ainda era amargo e dolorido. E ficava cutucando irritantemente seus pensamentos a ideia de ser acusado de novo e, dessa vez, de verdade. — Não os reconheci e segui o caminho até o dormitório. E fiquei lá até de manhã. Só isso.
Quanto mais o tempo passava, mais despreparado Gunhoo se sentia sobre a história de estagiar. Frustrava-se aos poucos com aquela insegurança que crescia conforme os dias passavam, os acontecimentos recentes tendo grande influência sobre como se sentia, então os evitava ao máximo ao encontrar com aquele que o entrevistaria. Poderia mentir para si mesmo e acreditar que se fosse a meses atrás quem sabe a tranquilidade fosse sua aliada, mas Gunhoo tinha dúvidas desde que a ideia foi colocada na mesa e todas as suas fichas tivessem que ser apostadas naquela oportunidade.
Seria estúpido desistir antes de dar o primeiro passo, apegando-se a toda covardia comumente entrelaçada a personalidade e vacilando outra vez. A boca do estômago doía, mas afundava mais uma vez a dúvidas surgiam. Quando havia sido o primeiro episódio mesmo? Começou antes do atentado ao antigo estagiário, quando estava no primeiro ano. Sua presença não agradava àqueles da alta sociedade, mas não achava que a crueldade seria maior quando chegasse à vida adulta. Acostumou-se com o que diziam, com o comportamento agressivo e manteve-se o mais focado possível em tudo que o aproximasse do objetivo recém adquirido.
O futuro independente e estável que tanto almejava depois do término do ensino superior parecia distante quando vida de outras pessoas passaram a depender do seu desempenho naquela faculdade, usando do que seus pais chamavam de “dom” para buscar uma melhora de vida para todos de sua família. E, desse modo, seguia os conselhos de seu antigo reitor da escola, ainda o auxiliando a tomar decisões. Um passo de cada vez, pensou. Meter os pés pelas mãos, como fizera outrora, era um movimento demasiadamente tolo.
Mexia os pulsos doloridos, ouvindo alguns estalos, nervoso. Ajeitou o uniforme escolar, voltando a um semblante confiante. Respirou fundo e andou até o ambiente que poderia ou não definir seu futuro. Era sua vez.
entrevista
Nome, curso, ano de nascimento e tipo sanguíneo.
Meu nome é Lee Gunhoo, curso direito e nasci no ano dois mil. Meu tipo sanguíneo é B.
Qual a sua opinião sobre a GAEM atualmente?
A GAEM carrega tudo que quero pra mim. Existe uma excelência em seu ensino e eu respeito muito isso. Depois dos últimos acontecimentos, eu fiquei com um pouco de dúvida sobre como seria tratado, afinal ainda espero uma resposta mais clara do que aconteceu. Ainda assim, continuo com uma opinião positiva. É...
O que você quer levar da GAEM para sua vida?
A grade curricular fantástica, as experiências. E a bagagem cultural que esse lugar me proporciona, também. Meu tempo aqui é tratado de forma muito produtiva.
O que busca no estágio?
Aprendizado e, sobretudo, experiência. Não é o tipo de coisa que se deve deixar passar estando aqui, então eu gostaria de tentar. Com o tempo que passo aqui, por ser integral, é a melhor forma de aproveitar ao máximo tudo que a GAEM pode me oferecer. Me formar melhor preparado, possuir uma vantagem em relação aos outros é algo essencial, não é?
O que faria com a vaga caso conseguisse?
Aproveitaria tudo que fosse me passado é a intenção. É uma vaga que me abriria várias portas, me proporcionaria uma visão maior do que me aguarda no futuro e, com certeza, é o lugar onde devo estar.
Quais você diria que são seus pontos positivos e negativos?
Sou responsável e acessível, acredito que seja características que todos devem ter, mas principalmente em relação à educação e trabalho. Sinceramente, me falta um pouco de... pulso firme? É. Tomadas de decisões são meu fraco, eu preciso ser menos condescendente em relação à opiniões alheias. E menos inseguro sobre as minhas ideias. Elas são boas. Acredito que o estágio seja um bom lugar para corrigir isso.
Quais são seus planos para o futuro após se formar?
Quero começar a advogar, adquirir experiências suficientes para, quem sabe um dia, ter minha empresa. Trabalhar bastante... Tenho vários objetivos em mente, na verdade, mas prefiro pensar somente nos que estão ao meu alcance.
Deixou a sala após a entrevista sentindo um peso a mais em seus ombros. Queria suspirar de alívio, mas não tinha esse privilégio. Estava nervoso e, provavelmente, continuaria assim por um bom tempo. Estava perdido e começando a se sentir como a marionete, moldando-se a posição que o colocaram. Seria bom se tivesse consigo falar o que realmente pensava, mas talvez esse tipo de coisa ainda não existisse em palavras, sendo assim, ele somente seguiria seus dias até a próxima etapa. Tinha de estudar e, por mais irônico que fosse, ele não podia ter seus próprios pensamentos. No final, não era uma opção segura nem para própria saúde.

